quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Salário Mínimo - Beijo Fatal (1987)


Nomes de bandas formam um capítulo à parte na História do Rock. Alguns soam naturais depois de repetidos milhares de vezes, como Paralamas do Sucesso e Biquini Cavadão. Mas, se analisarmos bem, são bastante esquisitos.

O nome é uma espécie de cartão de visita de uma banda. Por meio deles deve ser possível pelo menos se ter uma idéia do estilo musical praticado. Querem exemplos? O que vocês esperariam ouvir de uma banda chamada Mukeka di Rato? Metal Melódico? Hard Rock? Claro que não! Hardcore é claro! E de outra chamada Urublues? Death? Grind? Claro que não, Blues! Evidente! [Ambas bandas citadas de fato existem e são bandas capixabas].

Pois bem, mas nem todas as bandas são felizes na escolha do seu nome, e acabam por vezes não despertando a atenção do ouvinte por conta disso. É o caso do Salário Mínimo. À primeira impressão, talvez punk fosse o estilo mais condizente com esse nome, pois sugere crítica social ou algo parecido.

Ledo engano caros leitores! Trata-se de uma banda de heavy metal do início dos anos 80, com fortes cacoetes de Iron Maiden, Saxon, Angel Witch e toda a galera da NWOBHM (não sabe o que é, Mr. Google está aí pra isso mesmo!)

Vencido o bloqueio inicial causado pelo nome, procurei ouvir com calma o som dos caras, e descobri uma banda bastante original, apesar de usarem alguns chavões do metal. Mas, para ser justo, não podemos usar padrões atuais para detonar o trabalho dos caras. A qualidade de gravação é sofrível, a inocência das letras (em português) é latente e a produção como um todo deixa a desejar.

É claro que não dá nem pra comparar com a unha do dedinho do pé de um Dr. Sin, mas, tudo isso pode ser facilmente desconsiderado se compararmos com outros discos feitos na época, e principalmente, se lembrarmos que o Brasil só acordou para o rock and roll em 1985, após o Rock in Rio, e que em 1987 ainda estava engatinhando em termos de produção.

A banda foi formada em 1979, mas foi reconhecida mesmo em 1984, participando da famosa coletânea SP Metal. Beijo Fatal foi lançado em 1987, teve uma boa repercussão vendendo cerca de 80 mil cópias e os destaques são as excelentes Noite do Rock, Dama da Noite, Beijo Fatal, Rosa de Hiroshima (aquela mesma!) e principalmente Anjo da Escuridão, um verdadeiro hino do metal. O disco encerra com a balada (única do play) Sob o Signo de Vênus e fecha com chave de ouro um dos trabalhos pioneiros do estilo em terras tupiniquins.

Ficou curioso? Baixe então aqui uai!


quarta-feira, 30 de julho de 2008

Slaughter - Stick It To Ya (1990)


Após sairem da banda Vinnie Vincent Invasion, Mark Slaughter e Dana Strum formaram o Slaughter. Em 1990, o glam rock não estava mais no auge, mas ainda exsistia um espaço muito bom na mídia para bandas do estilo, e de fato tivemos o surgimento das fantásticas Poison, Skid Row, Winger, entre outras.

Aproveitando-se muito bem da situação, lançaram o petardo de estréia, Stick It To Ya, que atingiu disco de ouro nos Estados Unidos em apenas dois meses, e posteriormente, chegaria à impressionante marca de platina tripla.

E não é pra menos, afinal, trata-se de um biscoito muito fino. Recheado de canções extremamente empolgantes como Up All Night, Burning Bridges e Mad About You e baladas de arrancar lágrimas como Spend My Life e o mega-hit Fly to the Angels, Stick It To Ya é a trilha sonora perfeita para uma festa à beira de uma piscina regada a muita bebida e com muitas garotas peitudas.

Sobre a faixa Fly to the Angels, existe um fato no mínimo curioso. A banda chegou a ser processada por que uma pessoa teria se suicidado supostamente após ouvir essa música. Não é para tanto, mas eu mesmo quase bati meu carro quando ouvi essa música pela primeira vez.

Sobre Mark Slaughter, tenho que dizer que o cara é um desses casos de raro talento. Além do seu vocal magnífico de hard rock (meio afetado, mas maravilhoso, ehehehe), possui inúmeros outros talentos. Toca guitarra e piano, além de emprestar sua voz para animações como Animaniacs, Batman Beyond, Freakazoid, Rocket Power, para comerciais de Tv (Toyota, Hot Wheels, etc) e até trailers de filmes e da Fox Sports.

Sobre Stick It To Ya, tenho que dizer: BAIXEM AQUI E AGORA!!!

Up all night, sleep all day. Esse é o lema!


quinta-feira, 24 de julho de 2008

Rock Star (2001)

Em geral, filmes sobre rock são mal feitos. Salvo raras exceções, a visão do diretor é muito romanceada ou até mesmo preconceituosa, além de não conseguir traduzir para o grande público o que de fato acontece nos palcos e nos bastidores do rock and roll.

Rock Star
(Warner Bros, 2001) é uma dessas exceções, e foi uma grata surpresa para mim. A estória é baseada em fatos reais, e conta como Tim Owens, um fã do Judas Priest e vocalista de uma banda tributo, assumiu o lugar de Rob Halford. Infelizmente, a referida banda inglesa não autorizou a utilização do seu nome, e foi criada uma banda fictícia, o Steel Dragon.

O ator principal é Mark Wahlberg, que interpreta o garoto que trabalhava num escritório e que tinha uma banda cover do Steel Dragon. O grande barato desse filme é que uma parte dos atores que fazem papel de músicos são realmente músicos, o que confere uma fidelidade muito grande ao universo rock. Participaram do filme como atores: Zakk Wylde, Jeff Pilson e Jason Bonham.

Além disso, como O Judas também não autorizou a utilização de suas músicas, a trilha sonora foi composta pelos músicos acima citados, e pelos vocalistas Jeff Scott Soto e Michael Matijevic. O primeiro é velho conhecido de todos, inclusive aparece com frequência aqui no blog. Mas e esse tal de Matijevic? Ele é vocalista de uma banda chamada Steelheart, que diga-se de passagem, é A.N.I.M.A.L.!!!!!

O primeiro disco do Steelheart foi produzido por um tal de Bruce Dickinson, que ficou estupefato com o poder vocal de Matijevic, só pra vocês terem uma idéia de como esse rapaz detona!

Fica então a recomendação para que assistam ao filme acima citado. Vale realmente muito a pena. Para quem quiser conferir os vocais arrasadores de Matijevic, vou disponibilizar duas opções:

Trilha Sonora de Rock Star (2001): baixe aqui.
Steelheart (1990): baixe aqui.

Boa diversão!!!

domingo, 13 de julho de 2008

13 de julho - Dia Mundial do Rock

Para quem realmente gosta de rock, para quem vive de rock ou simplesmente vive o rock, não existe nada mais esdrúxulo do que essa data. É quando o Jornal Nacional vai dedicar 30 segundos do seu valioso tempo para falar sobre esse estilo cinquentão, criado e apreciado por doidões.

Pra muita gente, usar uma camiseta preta, cabelo comprido, fazer uma tatuagem ou colocar um brinco ou piercing é moda, assim como lembrar do rock apenas nesse dia 13 de julho é algo inventado pela mídia.

Todos os dias para mim são dias de rock. Rock não é um estilo musical, é um estilo de vida.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Rush - uma banda ou uma religião? Parte 3

Fase pop-prog:

A banda resolve inovar novamente e aponta numa direção mais pop, porém, isto para o Rush nunca significou abrir mão da qualidade. Apenas as músicas ficaram um pouco mais acessíveis para o grande público.

Signals (1982)

Contém uma das músicas mais pop que o Rush já fez: New World Man. Em compensação, tem uma das melhores também: Subdivisions.






Grace Under Pressure
(1984)
O disco mais variado da banda e talvez por conta disso, é considerado fraco e um dos mais mal sucedidos comercialmente. Claro, trata-se de uma grande injustiça, pois todas as músicas são boas extremamente agradáveis de se ouvir (Geddy não grita mais!). É daqueles discos pra deixar rolar enquanto se estuda, trabalha, etc.




Power Wind
ows (1985)
Aqui é o arena rock que impera, ou seja, aquelas músicas que mostram o seu real valor quando executadas muito altas, em grandes estádios. E foi justamente isso que o Rush fez nessa época, grandes apresentações com muitos efeitos especiais, telões, bonecos, etc. Grandes canções para arrasar quarteirões: Big Money, Manhattan Project e Marathon. Não preciso dizer mais nada, ou preciso?




Hold Your Fire
(1987)
O uso de touch pads na bateria, e até de todo um set eletrônico começou a fazer parte da bateria de Neil Peart. Essa era uma tendência muito forte na segunda metade da década de 80, e muitas bandas lançaram mão desta tecnologia. Destaques para Force Ten, Time Stand Still, Prime Mover, Mission e Turn the Page. Arena rock de primeiríssima.





A Show of Hands
(1988) (ao vivo)

Um belo registro ao vivo desta que foi a fase mais popular da banda até então. Esta tendência já havia discretamente com os hits Tom Sawyer e The Spirit of Radio, mas agora se tornou evidente o novo caminho esclhido pela banda. Geddy está enfiado nos teclados até o pescoço, e é difícil vê-lo no centro do palco nesse show, pois os teclados ficam à direita do mesmo.