quinta-feira, 3 de julho de 2008

Stauros - O Sentido da Vida (1997)


Quem tem muitos cds e/ou vinyl e trabalha muito como eu, em geral não tem tempo de ouvir tudo o que consegue comprar/gravar/baixar por aí nesses tempos modernos de informações musicais abundantes e de fácil acesso. Pois bem, não raramente, ao realizar incursões pelo meu modesto acervo de cd´s, deparo-me com algum material ainda não devidamente apreciado. Desta feita, peguei um disco de uma banda chamada Stauros e fui ouvindo no carro, e o resultado é que faz uma semana que ele não sai do meu cd player.

Posso garantir aos amigos frequentadores deste humilde blog que trata-se de um material extremamente interessante, e por que não dizer, histórico. Stauros foi a primeira banda de white metal nacional e O Sentido da Vida foi, sem dúvida, o seu trabalho mais aclamado, rendendo para a banda excursões pelo Brasil e pelo mundo e a inclusão de suas músicas numa compilação da “Heavens Metal Magazine”, a maior referência no estilo white do mundo.

Para os que não ligaram o nome à pessoa ainda, white metal é um estilo de metal com letras que falam em Deus, Jesus e coisas relacionadas à religião cristã, tanto que também é conhecido como Christian Metal. Antes que os mais puristas torçam o nariz, sugiro que ouçam, independentemente de professarem alguma religião ou não. Garanto que irão se surpreender, principalmente com o vocal de Celso de Freyn.

O cara é uma espécie de encarnação tupiniquim de Rob Halford do Judas Priest. Duvidam? Ouçam a faixa Toda Dor, o maior clássico do white metal nacional e onde Celso destila todo o seu veneno vocal. Não tem como não se arrepiar no refrão: "toda doooooooooor, toda dooooooooor, toda dooooooooooooooor". S.E.N.S.A.C.I.O.N.A.L.!!!

Além de Celso, toda a banda é bastante competente, mas o estilo puxado para o progressivo torna o trabalho um pouco difícil de digerir, e são necessárias várias audições para se começar a apreciar o talento desses barrigas-verdes (os caras são de Florianópolis).

Infelizmente, Celso deixou a banda após esse disco, mas retornou em 2002 para gravar um EP chamado Marcas de um Tempo. Com uma produção melhor do que O Sentido da Vida, esse trabalho mostra um trabalho de guitarras muito mais convincente e um Celso um pouco mais contido nos seus vocais rasgados, mas ainda assim muito acima da média. Porém, o som se distancia do metal de outrora e se moderniza. A banda encerrou suas atividades em 2005 mas neste ano estão de volta com mais um EP, Praise, desta vez, deixando de lado o metal definitivamente.

A discografia da banda :
  • 1995: Vento Forte
  • 1997: O Sentido da Vida (com Celso de Freyn no vocal)
  • 2000: Seaquake
  • 2001:Adrift
  • 2002: Marcas de um tempo (EP) (retorno de Celso de Freyn)
  • 2008: Praise (EP)
Confiram O Sentido da Vida aqui!

domingo, 29 de junho de 2008

Hudson Cadorini - Turbination (2008)


Quem já foi a algum show da dupla sertaneja Edson & Hudson, ou mesmo os assistiu pelo youtube, sabe que lá pelas tantas o Hudson pega sua guitarra e faz um solo onde se percebem fartas influências roqueiras.

Bem, até aí, nada demais. Vários sertanejos tocam algum instrumento (e alguns fingem também, ehehe), outros já se declararam fãs de rock (Christian e Ralf se amarram em Pantera!) mas esse cara foi além, gravou um disco de rock. O trabalho chama-se Turbination, e é mezzo instrumental mezzo cantado e conta com convidados de peso: Andria e Ivan Busic no baixo e bateria e Andreas Kisser participando na guitarra.

Ao terminar de ouvir o trabalho do cara tive uma certeza: o cara não toca guitarra apenas, ele é guitarrista mesmo, e dos bons. Quanto às composições, algumas empolgam, com uma pegada bem legal, enquanto outras ficam muito presas ao formato base-solo, ou seja, falta o desenvolvimento de um tema. Tentando explicar de outra forma: mesmo quando a música é instrumental, ela tem uma parte cantada por algum instrumento, no caso dele, seria a guitarra mesmo.

Apesar disso, qualquer iniciativa no sentido de elevar o rock and roll no Brasil é louvável, e quando se trata de um trabalho bem feito, bem gravado e acima de tudo honesto, temos que tirar o chapéu. Agora, como cantor o cara se revelou um excelente guitarrista.

Para quem quiser conferir, aí vai o link. Agradecimentos ao Ulires do Ziunanet.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Revolution Renaissance - New Era (2008)


Recentemente, o guitarrista, líder e faz-tudo do Stratovarius, Timo Tolkki, anunciou o fim da banda em seu site oficial. Mesmo já esperando essa notícia, principalmente por causa do fracasso total e absoluto da tentativa de retorno da banda após o longo tratamento de saúde de Tolkki (ouça Stratovarius (2005) e decepcione-se!), quem é fã da banda, como eu, ficou bastante chateado com a confirmação desse fato.

Afinal de contas, o Stratovarius chegou a ser cogitado pelos idos de 1998 como o sucessor do Iron Maiden ao posto de maior banda de heavy metal do mundo. Eu explico antes que um fã mais ardoroso da donzela de ferro se sinta ofendido. É que nessa época a referida banda inglesa não estava passando por um bom momento, tendo que suportar Blaze Bailey cantando (quanta maldade...). A banda finlandesa, ao contrário, passava por uma fase gloriosa, com álbuns magníficos já lançados, como Episode, Destiny e o espetacular, estrondoso e magnífico Visions.

Mas, quis o destino que assim terminasse a gloriosa carreira do Stratovarius, que, apesar de não ter correspondido às expectativas da mídia (principalmente por causa da saúde de Tolkki), tem uma bela história escrita no Livro de Ouro do Rock and Roll.

Antes da separação definitiva, a banda estava trabalhando naquele que seria o verdadeiro retorno triunfal. Revolution Renaissance em sua versão demo vazou na net, coisa frequente nos dias de hoje, e podemos constatar, mesmo que as músicas ainda não estivessem devidamente mixadas, que os caras não estavam de brincadeira, e que a magia parecia estar de volta. Belas canções no estilo dos referidos álbuns da época de ouro da banda me fizeram crer que agora a coisa ia andar.

Eis que brigas internas, desentendimentos, egos insuflados e toda aquela baboseira que estamos cansados de relatar aqui fizeram com que Tolkki desse uma de Justus e demitisse todo mundo. E por incrível que pareça, todos saímos ganhando muito com isso! Kotipelto é um excelente vocalista e tinha, digamos, a cara e a voz da banda, mas, devido ao desgaste de relacionamento, o clima parecia não estar mais muito agradável. Vamos continuar ouvindo a sua bela voz na sua carreira solo, com certeza.

Bem, e o que fez Tolkki? Pegou pesado!!!!!!!! Aproveitou todo o trabalho que já estava feito, batizou a nova banda de Revolution Renaissance e, de quebra, chamou um dream team para cantar: Michael Kiske (ex-Helloween), Tobias Sammet (Edguy e Avantasia) e Pasi Rantanen (alguém conhece esse? O cara canta hein!).

Os nossos ouvidos agradeceram muito! Baixem as duas versões nos links abaixo e tirem suas próprias conclusões!

Formação do Revolution Renaissance:

Timo Tolkki - guitars
Pasi Heikkilä - Bass
Joonas Puolakka - Keyboards
Mirka Rantanen - Drums
Michael Kiske - Vocals on 2, 4, 8, 9 & 10
Tobias Sammet - Vocals on 1 & 6
Pasi Rantanen - Vocals on 3, 5 & 7

Links:

http://lix.in/-2505d1 (demo com Timo Kotipelto nos vocais)

http://lix.in/-2ca610 (versão oficial com Michael Kiske, Tobias Sammet e Pasi Rantanen nos vocais)

Créditos dos links para o Power Ride!

terça-feira, 24 de junho de 2008

Michael Kiske - Past in Different Ways (2008)


Após sua saída do Helloween na primeira metade da década de 1990, Michael Kiske declarou-se convertido a uma religião obscura e saiu alardeando pelos quatro cantos que odiava o heavy metal, literalmente cuspindo no prato que comeu por quase dez anos. Lançou bons álbuns como artista solo, todos fazendo uma linha mais light, com pouco peso mas ainda assim bons, a saber: Instant Clarity (96), Readiness to Sacrifice (99) e Kiske (06). Nesse longo espaço entre o segundo e o terceiro disco solo, montou uma banda chamada Supared, que lançou um fraco álbum homônimo em 2003.

Eis que recentemente, mr. Kiske coloca no mercado um disco apenas com canções de sua fase heavy metal, todas recebendo uma releitura. Bem, ao ouvir o trabalho fiquei decepcionado e contente ao mesmo tempo. Decepcionado por que, tirando o instrumental, basicamente acústico, as linhas vocais são idênticas às gravações originais, e contente exatamente pelo mesmo motivo, por que o cara continua com a mesmíssima voz, cantando muito bem.

Pra mim, continua figurando a lista dos dez melhores vocalistas de heavy metal de todos os tempos.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Rush - uma banda ou uma religião? Parte 2

Fase progressiva:
Classificar uma banda como o Rush é extremamente difícil, já que os caras inventaram seu próprio estilo. Fazer uma divisão da sua carreira em fases é mais difícil ainda, pois não existe uma direção definida e como já mencionei na primeira parte deste post, a liberdade de criação sempre foi a tônica da carreira da banda. Mas, como gosto de desafios e tenho disposição para aguentar as críticas que virão, fiz uma divisão baseada nos álbuns ao vivo, que de certa forma, demarcam o final de uma fase e o início da outra.

Pois então, a fase progressiva é caracterizada por um uso mais explícito dos sintetizadores e dos famosos Taurus Pedals (quem toca baixo ou guitarra e tem mais de 30 anos deve saber bem o que são e quem tem menos, joga no google pra saber, uahuahauha). Além disso, as músicas estão mais longas e subdividas em várias partes, e todos os três estão no auge do seu vigor físico e intelectual.

A Farewell to Kings (1977)
Em uma fase inspiradíssima, a banda compõe um dos seus álbuns mais geniais, enterrados no progressivo até o pescoço. Os sintetizadores aparecem explicitamente, principalmente nos interlúdios (quando Geddy deixava o baixo e liberava suas mãos para os teclados). É aula pra todo lado, de baixo, de guitarra e de bateria. O disco pode (e deve) ser ouvido da primeira à última faixa, e não há como destacar alguma música, já que a faixa título, Xanadu, Closer to the Heart, Cinderella Man, Madrigal e Cignus X-1 formam uma obra completa e irretocável.



Hemispheres (1978)
A capa faz uma alusão ao que se deve esperar do álbum. O homem nu de um lado do cérebro representa o lado emocional, enquanto o homem de terno, do outro lado, representa o lado racional. É o que se ouve neste fantástico disco, um balanço entre a melodia das canções e a técnica apurada dos músicos. Apesar de ter apenas 4 músicas, este álbum traz dois dos maiores sucessos da banda: a clássica The Trees e a instrumental La Villa Strangiato, que faz qualquer baterista cair em prantos de tanta emoção.


Permanent Waves (1980)
Um disco que já apontava para a próxima transição, apresentando sinais da nova fase que estava chegando, o que pode ser conferido em The Spirit of Radio, um grande sucesso nas Fm's. Mas, o que ouvimos aqui ainda está bastante enraizado no progressivo (ouça Jacob´s Ladder e Natural Science). Geddy já não berra tanto, está bem mais contido e consciente de sua voz, o que torna a audição mais agradável.




Moving Pictures
(1981)
Sem sombra de dúvida, o disco mais bem sucedido comercialmente da banda, graças ao hit radiofônico Tom Sawyer, tema dos seriado global Profissão: Perigo. Porém, não deve passar em branco o fato do disco como um todo ser muito bom. Destaque para os clássicos eternos: Red Barchetta, YYZ e Limelight. O sucesso comercial não foi coincidência, visto que as músicas estão ligeiramente mais acessíveis ao público em geral.




Exit...Stage Left
(1981) (ao vivo)
Segundo registro ao vivo da banda, e, para variar, os caras reproduzem ao vivo tudo o que fazem no estúdio, com um plus, a energia do palco. Geddy, Alex e Neil não precisam nem olhar mais um para o outro, é impressionante o nível de entrosamento que esses caras atingiram. Encerraram aqui a fase progressiva.


Continua...