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quarta-feira, 30 de julho de 2008

Slaughter - Stick It To Ya (1990)


Após sairem da banda Vinnie Vincent Invasion, Mark Slaughter e Dana Strum formaram o Slaughter. Em 1990, o glam rock não estava mais no auge, mas ainda exsistia um espaço muito bom na mídia para bandas do estilo, e de fato tivemos o surgimento das fantásticas Poison, Skid Row, Winger, entre outras.

Aproveitando-se muito bem da situação, lançaram o petardo de estréia, Stick It To Ya, que atingiu disco de ouro nos Estados Unidos em apenas dois meses, e posteriormente, chegaria à impressionante marca de platina tripla.

E não é pra menos, afinal, trata-se de um biscoito muito fino. Recheado de canções extremamente empolgantes como Up All Night, Burning Bridges e Mad About You e baladas de arrancar lágrimas como Spend My Life e o mega-hit Fly to the Angels, Stick It To Ya é a trilha sonora perfeita para uma festa à beira de uma piscina regada a muita bebida e com muitas garotas peitudas.

Sobre a faixa Fly to the Angels, existe um fato no mínimo curioso. A banda chegou a ser processada por que uma pessoa teria se suicidado supostamente após ouvir essa música. Não é para tanto, mas eu mesmo quase bati meu carro quando ouvi essa música pela primeira vez.

Sobre Mark Slaughter, tenho que dizer que o cara é um desses casos de raro talento. Além do seu vocal magnífico de hard rock (meio afetado, mas maravilhoso, ehehehe), possui inúmeros outros talentos. Toca guitarra e piano, além de emprestar sua voz para animações como Animaniacs, Batman Beyond, Freakazoid, Rocket Power, para comerciais de Tv (Toyota, Hot Wheels, etc) e até trailers de filmes e da Fox Sports.

Sobre Stick It To Ya, tenho que dizer: BAIXEM AQUI E AGORA!!!

Up all night, sleep all day. Esse é o lema!


quinta-feira, 1 de maio de 2008

Titãs - Domingo (1995)


Domingo foi o oitavo álbum de estúdio dos Titãs, o segundo depois da saída de Arnaldo Antunes e o último que vale a pena ser ouvido. Depois disso, em 1997, a banda se rendeu aos apelos do sucesso-quase-garantido-e-levanta-defunto da série Acústico Mtv, e de lá pra cá, não apresenta mais toda a irreverência e criatividade de outrora.

O álbum em questão, ao contrário de Titanomaquia (1993), que ficou conhecido como o disco de heavy metal dos Titãs, tem um som muito limpo, extremamente bem gravado e com a assinatura de Jack Endino, produtor norte-americano co-responsável pelo sucesso de bandas como Mudhoney e Soundgarden, além de ter produzido Bleach, o álbum de estréia do Nirvana, em 1989. Uma boa produção realmente faz toda a diferença para uma banda de rock soar coesa.

As músicas apresentam-se bastante descompromissadas, com letras ásperas e instrumental quase niilista, porém, extremamente eficientes. A faixa título consegue descrever com perfeição a pasmaceira de um domingo, enquanto Tudo o Que Você Quiser e Tudo em Dia descrevem muito bem, tanto na música quanto na letra, como é estar casado (pra quem quer saber como é, é só ouvir!).

Participações especiais de Herbert Vianna em o Caroço da Cabeça e de Max e Igor Cavalera em Brasileiro, fazem desse disco uma agradável surpresa para aqueles que só conheceram a banda a partir dos Acústicos.

Um belo exemplo da irreverência titânica pode ser ouvido em Um Copo de Pinga, música de domínio público adaptada por Sérgio Brito, cuja letra transcrevo aqui em homenagem ao pessoal do Ziunanet que aprecia uma "branquinha" só de leve:

Na segunda eu planto a cana
Na terça amanhece nascendo
Na quarta eu colho a cana
Na quinta eu faço o engenho
Na sexta eu faço a pinga
No sábado eu amanheço bebendo
No domingo minha mãe disse meu filho pára de beber
Essa sina eu vou cumprir até morrer
Da garrafa eu faço a vela
Da prateleira eu faço o caixão
Eu quero é que me enterrem com um copo de pinga na mão
Eu quero é que me enterrem com um copo de pinga na mão


Apesar de terem se rendido ao mercado, não devemos julgá-los nem condená-los por isso, afinal, os caras têm um tremendo currículo e contribuíram sobremaneira para o rock nacional e para a cultura pop em geral. Álbuns geniais como Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas, Cabeça Dinossauro, Tudo Ao Mesmo Tempo Agora e Titanomaquia ficarão pra sempre registrados como o retrato de uma época.

Além disso, não se pode criticar um pai que deseja ganhar dinheiro honestamente para sustentar os seus filhos. Eles têm o direito de lançar o Acústico 3, 4, 5, etc, etc, e ninguém é obrigado a comprar.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Engenheiros do Hawaii - Gessinger, Licks & Maltz (1992)


Não escondo de ninguém que sou fã da fase power-trio dos Engenheiros do Hawaii, ou seja, de quando só havia Humberto Gessinger no baixo e voz, Augustinho Licks na guitarra e Carlos Maltz na batera. Havia uma fusão muito interessante de personalidades, Humberto com suas letras mais corrosivas que ácido clorídrico, Augusto com sua finesse e extrema classe na guitarra e Carlos com sua forma largada de ser, formavam um conjunto ímpar.

Com a saída de Licks, a banda perdeu muito em termos de arranjos, e um pouco depois, com a saída de Maltz (que pirou o cabeção e hoje é místico e vive de fazer mapas astrais no Centro-Oeste do país), descaracterizou-se totalmente, com Humberto realizando seu super-ego e se tornando faz-tudo na banda.

Bem, dessa fase boa destaco três trabalhos: O Papa é Pop (1990), Várias Variáveis (1991) (leia mais aqui) e Gessinger, Licks & Maltz (1992), que vou destrinchar agora.

Humberto nunca escondeu que era fã de Rush e foi justamente nesse disco que a banda levou às últimas consequências essa tietagem explícita. Eram muitos equipamentos, muitos efeitos pré-gravados, vozes metálicas, pedaleiras (tanto para Humberto quanto para Augusto) e muita produção, fazendo com que os três se multiplicassem no palco, justamente como o referido power-trio canadense fazia na época.

Duas faixas de Gessinger, Licks & Maltz são bastante comerciais, Ninguém=Ninguém e sua mensagem filosófica e Parabólica, baladinha acústica que Humberto fez para Clara, sua filha recém-nascida. Outras faixas, como ?Até Quando Você Vai Ficar? e Chuva de Containers soavam muito energéticas ao vivo (estava no show deles no Álvares e abriram com essas duas músicas!). Algumas faixas são bem intimistas, quase confessionais, como No Inverno Fica Tarde + Cedo e A Conquista do Espelho, enquanto A Conquista do Espaço e Canibal Vegetariano Devora Planta Carnívora mostram uma nova face da banda, um pop descompromissado.

Depois da turnê do GLM, Humberto declarou que queria voltar às raízes, abandonar a parafernália e retornar ao simples. Foi uma pena e justamente à partir daí que comecei a me desinteressar pelo trabalho da banda. De qualquer forma, o disco está por aí e recomendo fortemente a todos apreciadores (ou não) do roquenrol brazuca.


quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

O melancólico fim dos Compact Discs

Abro uma exceção hoje para falar de um assunto que não está ligado diretamente ao rock, mas, por ter relação direta com a música e com a paixão por esta arte, torna-se legítima a sua publicação neste humilde blog. Trata-se da história do Compact Disc, ou, carinhosamente, CD, inventado conjuntamente pelos japoneses da Sony e pelos holandeses da Philips em 1980.

Pois bem, essa nova tecnologia, que prometia qualidade digital de som, além de uma durabilidade superior ao vinil, está completando 28 anos, e o tempo mostrou que muita coisa que foi prometida, na verdade, não passava de um engodo e da mais desprezível demonstração de ganância da indústria fonográfica mundial. Mas, o tiro saiu pela culatra, quer dizer, mais ou menos.

Nos idos de 1990, já existiam cds no Brasil, mas o número de títulos disponíveis ainda era muito restrito, e me lembro bem de uma loja no centro de Vila Velha que tinha milhares de vinis nas bancas e uns poucos cds expostos na vitrine, como se fossem jóias, objetos de adoração e com preços bem salgados, proibitivos para adolescentes durangos como eu.


Comecei a me interessar por música de uma forma mais profissional, digamos, quase doentia, exatamente nessa fase de transição do vinil para o cd, e os primeiros discos que adquiri na vida eram vinis dos Engenheiros do Hawaii, Rush e Pink Floyd, já que os primeiros disquinhos reluzentes eram vendidos por quase o triplo do valor de um vinil. Além disso, os aparelhos para tocar cds também eram muito caros e a saída era pedir para colegas de sala mais abastados que já possuíam os tão desejados cd players gravarem fitas cassete para mim...

A primeira coleção musical que tive constava de alguns vinis e dezenas de fitas cassete, mas não eram quaisquer fitas, eram gravações de cds, ou seja, de uma qualidade MUITO superior às fitas comuns (meu Deus...). Eu guardava aquilo tudo com muito carinho, e as ouvia sem parar, até que, desafortunadamente, elas agarravam no tape deck...era hora de usar cotonete e álcool isopropílico para limpar o cabeçote e evitar maiores danos. Haviam também, entre essas fitas, muitas gravações de um saudoso programa que ia ao ar nas tardes de sábado na extinta Rádio Capital FM, o Êxtase, cujos personagens principais eram o seu Crown e o simpático Bubble, ehheeh, saudades...


Bem, com a crescente popularização do cd, o mesmo foi se tornando mais acessível aos pobres mortais trabalhadores, e, por volta de 1992, comecei a adquirir os meus primeiros compact discs...começava uma longa e complicada história de amor...

Durante muito tempo, o meu passatempo preferido era garimpar as gôndolas de lojas de cds horas e horas a fio à procura de uma raridade, mas, principalmente, de boas promoções. Foi assim que adquiri, por exemplo, o Skunkworks do Bruce Dickinson no Carrefour por R$4,99 e deixei de comprar o Live Evolution do Queensryche na Martini por R$ 13,99 (é incrível como a gente não esquece essas coisas...) Além disso, costumava comprar muitos cds pela Internet também, como o Rising do Rainbow, Thundersteel do Riot e Holy Diver do Dio, numa época em que o dólar estava equiparado ao real, lá pelos idos de 1994, 1995, Era uma festa...

Eis que o cd, ou melhor, a indústria do cd, sofre o seu primeiro abalo, a chegada dos gravadores de cd. Até então, a única opção eram as fitas cassete, que foram definitavente enterradas com o advento desse maravilhoso aparelho. Adquiri o meu primeiro cd recorder para computador, por uma pequena fortuna, em 1998, e não é preciso dizer que uma nova revolução estava a caminho. Agora seria possível fazer trocas e até vender gravações... bem, melhor pular essa parte.

A minha sede por novidades foi crescendo e minha coleção foi aumentando agora de uma forma exponencial. Comprava aqueles tubos de 100 cd-r e gastava tudo em menos de um mês, sem contar os cds originais que continuava comprando, afinal, a mídia cd-r não era tão em conta quanto é hoje em dia. Um verdadeiro intercâmbio musical estava sendo colocado em prática e até por correspondência eu já fiz belas trocas e consegui coisas raras como o Adicted to Reality dos mineiros do Overdose, que até hoje não foi lançado em cd (e pelo jeito nunca será...).

A pirataria se tornou um grande inimigo das gravadores (há controvérsias, mas vá lá), mas o que viria pela frente ainda seria pior. Em 1987, em um laboratório do Instituto Fraunhofer, na Alemanha, um grupo de pesquisadores desenvolveu um algoritmo para compressão de áudio chamado Eureka-EU 147. Nascia o mp3, mas, o segundo grande abalo sofrido pelos managers das grandes gravadoras, esse de proporções cataclísmicas (nossa!), seria provocado por um moleque de 19 anos chamado Shawn Fanning, que criou a primeira versão do Napster em 1999, a primeira ferramente eficiente de busca de músicas no formato mp3 da internet. Anos mais tarde esse programa foi proibido, mas, a porteira já estava aberta.


A internet brasileira não era grande coisa na década de 90, e por isso, o formato mp3 não foi levado muito a sério. Além disso, era preciso um computador para ouvir arquivos nesse formato, o que, inclusive pra mim, era considerado algo desconfortável. Com a expansão e popularização da rede mundial de computadores e a produção em larga escala de mp3 players compactos e baratos, essa "praga" se alastrou muito rapidamente e hoje decretou o fim dos compact discs.

Particularmente, tive muita resistência em colecionar mp3. Para o rock and roll, a arte de uma capa ou de um encarte sempre desempenharam um papel fundamental (para algumas bandas, mais importantes até do que o próprio som, ehehe), e esse foi o principal motivo da resistência, além de uma desconfiança de que a qualidade desse tipo de formato era inferior a qualidade dos cds.

Hoje, sabemos que o cd não tem tanta qualidade assim, e que, inclusive, para algumas faixas de frequência, o vinil era melhor, além de ter um som mais quente, mais vibrante, mais com ares de ao vivo. Além disso, descobri por esses dias que a humidade é um inimigo mortal dos compact discs. Tanto a própria mídia, quanto principalmente o encarte, precisam de cuidados muito especiais, pois em pouco tempo, um fungo abre um buraco na mídia e aí adeus cd!

Resumo da ópera, tivemos que engolir um produto de qualidade inferior ao vinil, durante quase vinte anos. Mas, agora, o mp3, juntamente com a moderna tecnologia dos home studios e a democracia da Internet, decretaram o fim do cd e das gravadoras, pelo menos nos modelos atuais, já que é relativamente fácil e barato gravar músicas no quintal de casa, converter para mp3 e divulgar na grande rede. O único problema disso é que, bem ou mal, as gravadoras desempenhavam um papel de filtrar os artistas que poderiam gravar, e isso agora não será mais possível.

Bem vindos ao futuro da música!