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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Ira - 7 ( 1996 )

Apesar de possuir vários clássicos imortalizados no livro de ouro do Rock Nacional, o Ira! sempre foi uma banda underground, intencionalmente ou não, nunca caiu nas graças da grande mídia. Para muitas pessoas, essa é exatamente uma de suas mais louváveis qualidades. Pessoalmente, não acredito que alguma banda não queira fazer sucesso e/ou ganhar muito dinheiro, mas, vai saber...

De qualquer forma, o fato é que o Ira! sempre foi uma banda de excepcional qualidade, e, nesse 7 (qualquer semelhança com o nome deste blog é mera coincidência) resolveram pegar pesado na seleção do repertório. Um disco regular se comparado a outros da própria banda, mas, muito acima da média na questão divulgação, com direito a clip na Mtv da faixa Assim que me Querem, além da faixa Girassol, que também foi bastante executada.

Mas, as minhas faixas preferidas são os dois excelentes covers, Você Não Serve Pra Mim de Roberto Carlos e House Of Rising Sun do Animals. Versões pesadíssimas e rapidíssimas, furiosas, quase punks. Aliás, o Ira! conservou sua rebeldia e não perdeu sua garra em tocar com o passar do tempo.

7 é um disco pesado, simples e direto. Um verdadeiro orgulho para o rock brazuca!

Bora ouvir?

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Titãs - Domingo (1995)


Domingo foi o oitavo álbum de estúdio dos Titãs, o segundo depois da saída de Arnaldo Antunes e o último que vale a pena ser ouvido. Depois disso, em 1997, a banda se rendeu aos apelos do sucesso-quase-garantido-e-levanta-defunto da série Acústico Mtv, e de lá pra cá, não apresenta mais toda a irreverência e criatividade de outrora.

O álbum em questão, ao contrário de Titanomaquia (1993), que ficou conhecido como o disco de heavy metal dos Titãs, tem um som muito limpo, extremamente bem gravado e com a assinatura de Jack Endino, produtor norte-americano co-responsável pelo sucesso de bandas como Mudhoney e Soundgarden, além de ter produzido Bleach, o álbum de estréia do Nirvana, em 1989. Uma boa produção realmente faz toda a diferença para uma banda de rock soar coesa.

As músicas apresentam-se bastante descompromissadas, com letras ásperas e instrumental quase niilista, porém, extremamente eficientes. A faixa título consegue descrever com perfeição a pasmaceira de um domingo, enquanto Tudo o Que Você Quiser e Tudo em Dia descrevem muito bem, tanto na música quanto na letra, como é estar casado (pra quem quer saber como é, é só ouvir!).

Participações especiais de Herbert Vianna em o Caroço da Cabeça e de Max e Igor Cavalera em Brasileiro, fazem desse disco uma agradável surpresa para aqueles que só conheceram a banda a partir dos Acústicos.

Um belo exemplo da irreverência titânica pode ser ouvido em Um Copo de Pinga, música de domínio público adaptada por Sérgio Brito, cuja letra transcrevo aqui em homenagem ao pessoal do Ziunanet que aprecia uma "branquinha" só de leve:

Na segunda eu planto a cana
Na terça amanhece nascendo
Na quarta eu colho a cana
Na quinta eu faço o engenho
Na sexta eu faço a pinga
No sábado eu amanheço bebendo
No domingo minha mãe disse meu filho pára de beber
Essa sina eu vou cumprir até morrer
Da garrafa eu faço a vela
Da prateleira eu faço o caixão
Eu quero é que me enterrem com um copo de pinga na mão
Eu quero é que me enterrem com um copo de pinga na mão


Apesar de terem se rendido ao mercado, não devemos julgá-los nem condená-los por isso, afinal, os caras têm um tremendo currículo e contribuíram sobremaneira para o rock nacional e para a cultura pop em geral. Álbuns geniais como Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas, Cabeça Dinossauro, Tudo Ao Mesmo Tempo Agora e Titanomaquia ficarão pra sempre registrados como o retrato de uma época.

Além disso, não se pode criticar um pai que deseja ganhar dinheiro honestamente para sustentar os seus filhos. Eles têm o direito de lançar o Acústico 3, 4, 5, etc, etc, e ninguém é obrigado a comprar.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Engenheiros do Hawaii - Gessinger, Licks & Maltz (1992)


Não escondo de ninguém que sou fã da fase power-trio dos Engenheiros do Hawaii, ou seja, de quando só havia Humberto Gessinger no baixo e voz, Augustinho Licks na guitarra e Carlos Maltz na batera. Havia uma fusão muito interessante de personalidades, Humberto com suas letras mais corrosivas que ácido clorídrico, Augusto com sua finesse e extrema classe na guitarra e Carlos com sua forma largada de ser, formavam um conjunto ímpar.

Com a saída de Licks, a banda perdeu muito em termos de arranjos, e um pouco depois, com a saída de Maltz (que pirou o cabeção e hoje é místico e vive de fazer mapas astrais no Centro-Oeste do país), descaracterizou-se totalmente, com Humberto realizando seu super-ego e se tornando faz-tudo na banda.

Bem, dessa fase boa destaco três trabalhos: O Papa é Pop (1990), Várias Variáveis (1991) (leia mais aqui) e Gessinger, Licks & Maltz (1992), que vou destrinchar agora.

Humberto nunca escondeu que era fã de Rush e foi justamente nesse disco que a banda levou às últimas consequências essa tietagem explícita. Eram muitos equipamentos, muitos efeitos pré-gravados, vozes metálicas, pedaleiras (tanto para Humberto quanto para Augusto) e muita produção, fazendo com que os três se multiplicassem no palco, justamente como o referido power-trio canadense fazia na época.

Duas faixas de Gessinger, Licks & Maltz são bastante comerciais, Ninguém=Ninguém e sua mensagem filosófica e Parabólica, baladinha acústica que Humberto fez para Clara, sua filha recém-nascida. Outras faixas, como ?Até Quando Você Vai Ficar? e Chuva de Containers soavam muito energéticas ao vivo (estava no show deles no Álvares e abriram com essas duas músicas!). Algumas faixas são bem intimistas, quase confessionais, como No Inverno Fica Tarde + Cedo e A Conquista do Espelho, enquanto A Conquista do Espaço e Canibal Vegetariano Devora Planta Carnívora mostram uma nova face da banda, um pop descompromissado.

Depois da turnê do GLM, Humberto declarou que queria voltar às raízes, abandonar a parafernália e retornar ao simples. Foi uma pena e justamente à partir daí que comecei a me desinteressar pelo trabalho da banda. De qualquer forma, o disco está por aí e recomendo fortemente a todos apreciadores (ou não) do roquenrol brazuca.


terça-feira, 30 de outubro de 2007

Engenheiros do Hawaii - Várias Variáveis (1991)

O saudosismo bateu geral por aqui. Retornemos ao longínquo ano de 1991.

Alguns dados interessantes para formar um panorama daquele ano:

Além disso, na política tínhamos Fernando Collor de Mello na presidência, inflação, consfisco de poupança pela ministra Zélia (lembram? aquela dos dentes separados...) etc, etc. O disco de vinil, juntamente com a fita cassete ainda eram as principais mídias de gravação. Bem, vamos à música em questão.

Foi nesse contexto que nasceu Várias Variáveis, sexto trabalho dos Engenheiros do Hawaii e a diferença em relação ao seu antecessor, O Papa é Pop, é gritante. Aqui, Humberto Gessinger, Carlos Maltz e Augusto Licks assumem com gosto o formato power trio, mandando ver solos inspirados de guitarra e linhas de baixo brilhantes, como se pode ouvir em Quartos de Hotel e Sampa no Walkman.

Além do instrumental primoroso, algo inusitado entre as bandas que faziam o chamado Brock, havia as letras ácidas e muito bem sacadas (um pouco cabeça, mas tudo bem...) de Humberto, como vemos em O Sonho É Popular, que abre o disco:

a pampa é pop
o país é pobre
é pobre a pampa
(o PIB é pouco)
o povo pena mas não pára
(poesia é um porre)

o poder
o pudor
VÁRIAS VARIÁVEIS
o pão
o peão
GRANA, ENGRENAGENS
a pátria
à flor da pele
pede passagem...PQP

Humberto nunca teve medo de assumir a sua gauchice, mas nesse álbum, levou isso às últimas consequências, com uma série de citações ao Rio Grande, além de algo inusitado, a inclusão da faixa Herdeiro da Pampa Pobre, uma versão bem hard para uma música regional, interpretada originalmente pelo Gaúcho da Fronteira (quem é esse???).

Sala Vip, a terceira faixa, é um desabafo de Humberto, composta nos bastidores do Rock in Rio II. Ouça para entender. Ainda fazem parte desse disco mega-sucessos radiofônicos como Piano Bar, Ando Só e Muros e Grades, além de outras pérolas como Não é Sempre e Museu de Cera.

Várias Variáveis continua atual, e é um daqueles discos para ser saboreado, não apenas ouvido.