sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Guiarras, guitarras e mais guitarras

Desculpem-me os bateristas e baixistas de plantão, mas guitarra foi e sempre será o símbolo maior da rebeldia e do rock and roll. Quantos moleques, e por que não dizer também marmanjos, já não sonharam em ser um grande guitarrista ao ver os seus ídolos debulharem a madeira sem dó nem piedade?

Pois é, o mundo foi povoado por muitos Jimies e Steves, no tempo em que guitarra era Fender ou Gibson (eu particularmente ainda prefiro essas!). Hoje, até por uma questão de querer ser diferente, os músicos e principalmente os luthiers (aquele cidadão que constrói os instrumentos) estão com a imaginação à flor da pele, e soltando a criatividade com força. Vejam só o que preparei para vocês.


1) Guitarras com mais de um braço:

Guitarras com dois braços não são novidade pra quem acompanhou o planeta Roquenrol nos últimos 30 anos. Fartamente utilizada nos anos 70 por guitarristas como Jimmy Page e Alex Lifeson (Rush), e nos anos 80 e 90 por Slash, Ritchie Sambora (Bon Jovi) entre outros, a guitarra double neck ficou famosa.















Agora, guitarras com 3, 4 ou até 5 braços não são muito comuns. "Ah, isso não existe não!" diria o leitor mais incrédulo. Pois existe sim caro amigo!

Com três braços convocamos Steve Vai, que apresenta dois modelos para essa mini-aberração. Repare que uma é em forma de coração. Que fofo...













Com quatro braços, o mais famoso frankstein pertence ao nosso amigo ambidestro (sim, ele toca duas guitarras ao mesmo tempo) Michael Angelo Batio, ex-C4 e endorser da Dean, que não ficou satisfeito só com dois...ai ai ai

Apresentando sua guitarra com cinco braços, temos o maluco de plantão Rick Nielsen, do Cheap Trick.



2) Guitarras exóticas

Algumas guitarras fogem um "pouco" dos padrões, com pequenas esquisitices, como misturar bandolins com craviolas com violões com não sei mais o que. Até o nosso amigo John Paul Jones resolveu aparecer aqui. Confiram.


Pra tocar essa tem que ser contorcionista!



Quantas cordas tem isso?



Por favor, alguém pode me dizer o que é isso?



Olha o John Paul Jones atacando de guitarrista!


3) Guitarras muuuuuuito estranhas:



Um pouco de viagem não faz mal a ninguém, mas viagem demais pode causar danos irreversíveis. Algumas peças são verdadeiras obras de arte, enquanto outras, beiram a total insanidade. Olhem só!


Contrabaixo double neck, sendo que um é fretless, ambos com 7 cordas!


Para guitarristas vascaínos.


Baixo 5 cordas do tio Sam. Achou a águia?


Isso é que é paixão pelo rock.



Perfeita para tocar reggae, mas atenção, não tentem fumá-la!


Que maravilha! Já vem com harpa!


Para fã-náticos por Van Halen.


Perfeitos para tocar AOR!


Essa mulher é literalmente um violão.


Lego Guitar (contribuição de Ulires do Ziunanet)



Essa meu filho vai adorar!


Moto e rock tem tudo a ver!


Ficaria muito bem na coleção particular de Glenn Danzig (ex-Misfits).


Essa ficou uma bela M...



Agora fique à vontade, escolha o modelo que mais combina com você e manda bala! Long Live Rock and Roll!!!


P.S.: Este post deu muito trabalho pra fazer, vê se comenta aí ô !!!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Graham Bonnet rules!!!

Todos vocês haverão de concordar comigo que não é pra qualquer um cantar ao lado de ícones como Ritchie Blackmore, Michael Schenker, Yngwie Malmsteen, Steve Vai e Chris Impellitteri. Pois o inglês Graham Bonnet realizou essa proeza, trabalhou com todos eles ao longo de sua brilhante carreira.

Graham sempre será lembrado como o homem que substituiu Ronnie James Dio no Rainbow, gravando, em 1979, o excelente Down to Earth, onde sua interpretação para Since You´ve Been Gone ficará imortalizada em nossos corações. Infelizmente, Ritchie não ficou satisfeito com a performance de Bonnet ao vivo (eu hein!) e ele foi prontamente chutado da banda.

Em seguida, Graham retomou sua carreira solo e gravou Rock Legends em 1980 e Line Up em 1981. No ano seguinte, entrou para o Michael Schenker Group e gravou o clássico Assault Attack, produzido por Martin "the farmer" Birch, que no mesmo ano também produziu The Number of the Beast, mas esse é um disco pouco conhecido...

Bonnet embarcou logo em seguida no Alcatrazz, onde cantou ao lado de Yngwie Malmsteen no excelente No Parole From Rock and Roll, e ao lado de Steve Vai, no igualmente fantástico Disturbing the Peace.


O próximio passo na já brilhante carreira foi substituir Rob Rock no recém formado grupo americano Impellitteri, banda capitaneada pelo virtuoso guitarrista Chris Impellitteri. Lançado em 1988, Stand In Line é o segundo trabalho da banda, um clássico do hard rock com leves toques de AOR e generosas doses de complexos malmsteeneanos... Como podem ver abaixo, o batera era Pat Torpey, hoje no Mr. Big. Graham ainda voltaria para gravar System X em 2002.

Se reparmos bem, em todas as fotos acima, o estilo de se vestir de Graham Bonnet estava sempre destoando do restante da banda. Porém, imagem não é tudo, por que o cara tem um dos vocais mais poderosos da história do rock, e por todas as bandas pelas quais passou, deixou sua marca, sua forma ímpar de cantar. Atingia agudos, sem abusar deles, de uma forma limpa, sem falsetes, algo muito difícil de conseguir, além da emoção transmitida ao cantar. Eu não sei o que esse Blackmore tinha na cabeça quando demitiu esse cara...


Para quem se interessar, aqui vai a discografia completa do cara :

1977 - Graham Bonnet (solo)
1979 - Down to Earth (Rainbow)
1980 - Rock Legends (solo)
1981 - Line Up (solo)
1982 - Assault Attack (Michael Schenker Group)
1983 - No Parole From Rock and Roll (Alcatrazz)
1984 - Live Sentence (Alcatrazz)
1985 - Disturbing the Peace (Alcatrazz)
1986 - Dangerous Games (Alcatrazz)
1988 - Stand in Line (Impellitteri)
1991 - Here Comes the Night (solo)
1997 - Underground (solo)
1999 - The Day I Went Mad (solo)
2002 - System X (Impellitteri)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Kamelot - Ghost Opera (2007)


Qualquer pessoa que tenha um mínimo de conhecimento do mercado musical sabe que os Estados Unidos há muito deixaram de ser um bom mercado para o rock, muito menos para o metal. Apear disso, algumas bandas norte-americanas continuam carregando a bandeira do metal bravamente. Uma delas é o Kamelot, domiciliado no estado da Flórida.

O Kamelot já possui uma carreira bem sólida, e a sua discografia é a seguinte: Eternity (1995), Dominion (1996), Siege Perilous (1998), The Fourth Legacy (2000), The Expedition (2000), Karma (2001), Epica (2003), The Black Halo (2005), One Cold Winter Night (2006) e Ghost Opera (2007). Mark Vanderbilt foi o primeiro vocalista e gravou Eternity e Dominion e quando saiu, a banda ficou meio sem rumo e parecia que o final seria inevitável. Eis que entram em cena Roy Khan (ex-Conception) e Casey Grillo.

A diferença entre o primeiro vocalista e o estreante Khan fez-se perceber nos primeiros acordes de Siege Perilous. Enquanto Mark Vanderbilt adorava agudos estridentes, o que invariavelmente comprometia sua interpretação, Roy Khan navegava por mares mais seguros, permanecendo na praia dos médios e graves, porém, com extrema competência.

A estabilidade na formação fez muito bem ao Kamelot, e graças a ela, Thomas Youngblood (guitarra), Roy Khan (voz), Glenn Barry (baixo), David Pavlicko (teclados) e Casey Grillo (bateria) continuam se superando a cada novo trabalho. Depois do excelente The Black Halo, que rendeu um cd e dvd ao vivo chamado One Cold Winter Night, Thomas Youngblood & Cia voltam com um trampo ainda mais complexo em termos de produção, com muitas partes orquestradas (ouça a belíssima Anthem), samplers, vocais líricos, intermissões acústicas (eita!).

Um trabalho complexo, para ser apreciado como um todo, e não apenas uma música isoladamente. Alguns blogs compararam esse play do Kamelot com o primeiro disco solo da Tarja (ex-Nightwish), mas , Ghost Opera só tem ópera no nome, pois a guitarra de Tom come solta o tempo todo!!!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Cavalera Conspiracy - Inflikted (2008)

Desde 2006, quando Igor Cavalera deixou o Sepultura, começaram a surgir boatos de que a maior banda de metal brasileira de todos os tempos voltaria à sua formação original. Prontamente negada pelos atuais integrantes, a reunião de fato (ainda) não foi concretizada, mas, os irmãos Igor e Max resolveram fazer um som juntos novamente. O projeto, que inicialmente seria chamado de Inflikted, foi rebatizado de Cavalera Conspiracy, pois Inflikted já estava registrado.

Inflikted ficou sendo então o nome do disco, e o mesmo apresenta uma mistura de tudo que os irmãos Cavalera já fizeram, juntos no Sepultura ou apenas por parte de Max, no Soulfly. Quem esperava muita batucada, o que seria uma continuação da tendência Chaos A.D. e Roots, assim como eu, quebrou a cara. Inflikted, Must Kill e Bloodbraw lembram Sepultura da fase Roots, enquanto Sanctuary e Terrorize parecem com a fase Arise. Já Ultra-violent e Nevertrust têm um toque de Korn inegável.

No geral, o trabalho é bastante cru, isto é, passa a impressão que os caras se reuniram e disseram: "Então, vamos fazer um som? Bora! Um, dois, um, dois, três, quatro!" As músicas, com honrosas exceções, estão bem relaxadas, isto é, descompromissadas e direto ao ponto, sem rodeios, introduções, longos solos, passagens acústicas, etc. A guitarra está muito pesada, com uma afinação muito baixa, como já estava sendo utilizada no Roots.

No mais, Max continua berrando como um louco, Igor continua batendo esquizofrenicamente e é isso aí, esperamos um dia poder ouvir o Andreas junto com eles também, solando como um alucinado.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Heaven and Hell - velhinhos mas em excelente forma!


Quando Ozzy Osbourne decidiu sair definitivamente do Black Sabbath em 1979, uma grande interrogação tomou conta dos fãs e da crítica especializada: a banda vai continuar sem Ozzy? quem vai substituir o madman? Por outro lado, também se perguntavam: e quanto a Ozzy? vai seguir carreira solo? quem vai substituir Iomi, Geezer e Ward?


Ozzy de fato iniciou uma carreira solo e obteve muito sucesso, auxiliado (e empresariado) por sua esposa Sharon, e, com certeza, ganhou muito mais dinheiro e fama sozinho do que nos dez anos que passou pelo Black Sabbath. Mas, e quanto ao Sabbath? Bem, para o posto de frontman, Tony Iomi convidou Ronnie James Dio, recém saído do Rainbow, e uma nova página da gloriosa história do Sabbath estava começando a ser escrita. Entre 1980 e 1982, Dio gravou três discos, Heaven and Hell, Mob Rules e Live Evil, mudou completamente a cara do Sabbath, que passou a se apresentar de forma mais técnica e menos instintiva, mas não menos genial.



Com sérios problemas de saúde, provocados pelo abuso de drogas e álcool (não necessariamente nessa ordem), Bill Ward gravou Heaven and Hell, mas não gravou Mob Rules nem Live Evil. Quem assumiu as baquetas nesses dois discos foi Vinnie Appice, que saiu junto com Dio, acompanhando-o em sua carreira solo.


O Black Sabbath continuou sua história, e por lá passaram: Ian Gillan, Glenn Hughes, Cozy Powell, Neil Murray, Boby Rondinelli, Ray Gillen e Tony Martin, até que em 1992, dez anos após o Live Evil, Dio-Iomi-Geezer-Appice resolvem se juntar novamente e gravar um disco. O resultado foi o poderosíssimo Dehumanizer, cuja turnê passou inclusive pelo Brasil.



Para grande surpresa e alegria de todos os fãs (me incluam nessa!), eis que no ano passado, ou seja, 15 anos depois do lançamento de Dehumizer, aquela que ficou conhecida como 3ª grande formação do Sabbath resolveu se juntar novamente e escrever mais uma página de sua história. Lançaram uma coletânea contendo três músicas novas chamada The Dio Years e imediatamente colocaram os pés na estrada. Uma das apresentações da turnê foi gravada e chamada de Live From Radio City Music Hall, que agora tenho em mãos.



Bem, o que eu posso dizer sobre este show: INVEJA! A única coisa que me veio à cabeça na hora que assisti: "Que inveja de quem estava lá!" Assistir a Tony Iomi, Geezer Butler, Vinny Appice e Ronnie James Dio executarem com precisão e muita garra, principalmente por parte de Dio, petardos como After All, Computer God, Lady Evil, Falling of The Edge of The World, Voodoo, Sign of The Southern Cross, Die Young, Lonely is The Word e Neon Knights é algo de deixar qualquer fã de queixo caído, pasmo, estupefato e abobado!!!



Apesar da idade avançada, das calvícies proeminentes e de alguns quilos a mais (só por parte de Appice e Butler), o quarteto mágico ainda detona com força. A produção do dvd é fantástica, o cenário é sombrio, e a música, ah, a música...INVEJA!!!!!!!!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Mares nunca d'antes navegados

Não existe nada mais misterioso para quem está começando a navegar pelos turbulentos mares do planeta rock & roll do que as sub-divisões e sub-categorizações deste estilo. Inventados pelos críticos, rótulos como heavy, hard, glam, a.o.r., melodic, thrash, death, black, speed, power, progressive, dark, gothic, atmospheric, symphonic, etc, são na verdade, uma tentativa de estabelecer comparações entre as bandas, principalmente as bandas novas, mas, invariavelmente, acabam confundindo os iniciantes.

Penso que cada nova categoria surge quando alguma banda quebra os paradigmas existentes, ou seja, surge da necessidade de se rotular algo novo, que não pode ser comparado com nada que já foi feito. Só que a brincadeira não é tão simples assim, vejam, por exemplo, o caso da origem do termo heavy metal.


Reza a lenda que um crítico inventou o termo heavy metal (inspirado na frase "heavy metal thunder" da música Born to Be Wild do Steppenwolf) para classificar a música do Led Zeppelin, no final da década de 60. Hoje, o Led Zeppelin não é mais classificado como heavy metal, pois esse termo ficou mais fortemente associado às bandas dos anos 80.



Qual a solução então? Quando surge uma banda nova cujo som é parecido com o do Led Zeppelin, por exemplo, basta dizer que ela é parecida com o Led Zeppelin. E se uma nova banda misturar duas bandas? Se tiver elementos do Led mas também tiver algo do Deep Purple ? (misturinha indigesta hein!). Eis a grande dificuldade!!!

Portanto, para conhecer o rock, é preciso ouvir muito rock, e a estrada é longa...com o tempo, percebe-se que essas classificações são uma tentativa desesperada de disciplinar o indisciplinável, de aprisionar o inaprisionável, de classificar o inclassificável. As comparações são inevitáveis, mas devem parar por aí, por que uma mesma banda pode lançar um disco thrash, depois um disco melódico e por aí vamos, como os iniciantes, navegando mares nunca d´antes navegados.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Rock Americano ou Rock Inglês? Qual é melhor?

Fazendo a usual consulta ao Google, the New Silicon Messiah, descobri que existem muitos artigos e até alguns fóruns sobre esse assunto, onde, como sempre, as pessoas expressam suas opiniões pessoais, citando algumas bandas de sua preferência como justificativa. Ok, expressar opiniões é um direito de cada um, e aqui vou eu expressar a minha.

Não há nenhuma dúvida quanto a origem do rock and roll, surgido nos Estados Unidos decorrente de uma variação do blues, que também teve suas origens nas terras do Tio Sam. Na década de 50 tivemos os primeiros grandes astros desse estilo, como Jerry Lee Lewis, que colocava fogo (literalmente) no seu piano, Little richard, Bo Diddley, Bill Halley, Chuch Berry (quem não conhece o hit Johnny Be Good?), além do mega-star Elvis Presley, só para citar alguns nomes. Todos americanos.














Na década de 60, além de grandes nomes norte-americanos como The Doors, Iron Butterfly, Jimi Hendrix e Janis Joplin, tivemos também grandes nomes ingleses como Beatles, Rolling Stones, Deep Purple, Led Zeppelin e Black Sabbath.













Na década de 70, tivemos movimentos bem distintos e marcantes como o hard rock (iniciado no final da década de 60), o rock progressivo, o glam rock, o punk, entre outros. Para cada movimento desses, com exceção do rock progressivo, tivemos grandes representatantes, tanto americanos quanto ingleses, apesar dos ingleses levarem uma pequena vantagem sobre os americanos em termos quantitativos. O time americano contava com: Alice Cooper, Kiss, Aerosmith, Journey, Creedence, Quiet Riot, Van Halen, The Stooges e Ramones. Já o time inglês era composto por: Whitesnake, Rainbow, Black Sabbath, Led Zeppelin, Judas Priest, Deep Purple, Queen, Yes, Genesis, Pink Floyd, Sex Pistols e The Clash.











Na década de 80, surge o que hoje denominamos heavy metal, apesar desta singela alcunha ter sido inventada na década anterior. Nesta seara, ao contrário do que ocorreu nos anos 70, temos dois gigantes, um pra cada lado: Iron Maiden e Metallica, frutos de movimentos distintos, o NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal) e o Thrash Metal, da Bay Area, California. Pode-se arriscar dizer que o Heavy Metal é inglês, reforçado por Saxon e Angel Witch, e que o Thrash Metal é americano, reforçado por outras bandas como Megadeth e Slayer.














Nessa mesma década, surgiram os new guitar heroes, aqueles cidadãos que abdicam do sexo para se dedicar à guitarra e aos cabelos (quanta maldade...), e aí meu amigo, os americanos ganham de goleada: Joe Satriani, Steve Vai, Vinnie Moore e Tony Macalpine, só para citar os que me vieram à mente agora.













Bem, não é preciso continuar esta breve análise dos primórdios do rock para concluir que é besteira tentar fazer essa comparação. O rock inglês não é melhor do que o rock americano, como muitos pensam, apesar de ser inegável o avassalador número de ícones vindos daquela ilha. Apesar disso, o rock americano tem o seu valor por ter sido pioneiro, e por ter revelado importantes figuras deste planeta louco chamado Rock and Roll!!!

Apreciem os dois! Sem moderação!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Overdose - de Belo Horizonte para o mundo!

Na alvorada do metal nacional, impulsionado fortemente pelo show do Kiss em 1982 e pelo grande sucesso do Rock in Rio em 1985, foi criada em Belo Horizonte aquela que viria a ser a maior gravadora underground do Brasil, a Cogumelo. Para o disco de estréia, a gravadora convidou o Overdose, a esta altura com um certo prestígio no cenário metal, mas, que não possuía músicas suficientes para gravar um disco inteiro. A solução foi chamar o Sepultura e o resultado foi o lendário split Século XX (lado A)/Bestial Devastation (lado B), que foi muito bem recebido pelo público e vendeu 15.000 cópias, um estouro para a época.

Fora da Cogumelo por problemas contratuais, a banda resolve produzir o seu próprio trabalho, e o resultado foi o sofrível Conscience (1987), que tinha sérios problemas técnicos e ainda mostrava uma banda imatura, cantando em português coisas bem inocentes como "Enquanto aquela estrela brilhar no azul do céu o Heavy nunca vai parar de rolar".

De volta à Cogumelo, e apresentando o seu novo baterista, André Márcio, então com 14 anos, o Overdose escreveu seu nome no hall da fama das grandes bandas nacionais com o estrondoso álbum You´re Really Big (1989). O guitarrista Claudio David está simplesmente arrasador nesse trabalho, detonando bases marcantes e solos inspiradíssimos, como em Nuclear Winter (que música!). Segundo o site MetalBlazer, o Overdose tocou incansavelmente por todo o Brasil nessa época (inclusive no Teatro Carmélia, em Vitória!). A banda figurou como umas das melhores em várias publicações especializadas do Brasil e recebeu novamente comentários altamente favoráveis em revistas de todo o mundo. A revista inglesa Metal Forces, por exemplo, considerou o Overdose a melhor banda do Brasil musicalmente falando e Cláudio David, disparadamente seu melhor guitarrista. Nessa época o Overdose abriu os shows do Testament no Brasil.

No ano seguinte a banda lançou Addicted to Reality (1990), pra mim, o melhor da carreira dos caras. A banda está tocando muito pesado, mas as melodias fluem de uma forma natural, com Claudio David ainda mais técnico e preciso, auxiliado pelo igualmente preciso baixista Fernando Pazzini, que deixaria a banda após a turnê do Addicted. São desse disco pérolas como Night Child, Pain, Your Way e a fantástica Great Dream, que encerra o álbum.

A banda passaria então por grandes mudanças. Para o lugar de Fernando, que não concordava com o direcionamento thrash que a banda estava adotando, foi chamado Eddie Weber, e um segundo guitarrista foi adicionado, Sergio Cichovicz. Os discos seguintes foram Circus of Death (1992), Progress of Decadence (1994) e Scars (1996) onde a banda mostra um thrash de primeira, abrasileirado, com um jeitão próprio, e até com algumas batucadas. A carreira internacional se tornou uma realidade e a banda realizou muitos shows nos Estados Unidos.

Para quem curte thrash, recomendo fortemente os últimos três discos citados, e para quem curte metal melódico, recomendo o dois anteriores. Para quem curte metal de qualidade, e melhor ainda, made in Belzonte, recomendo todos! Boa diversão!

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Sebastian Bach - Angel Down (2007)

Skid Row e Guns N´Roses foram, sem dúvida, os principais representantes do hard rock nos anos 90, e apesar do rolo compressor chamado grunge, conseguiram se manter vivos ainda por um bom tempo. Coincidentemente (ou não), Slave to the Grind (Skid Row), Use Your Illusion I e II (Guns) e Nevermind (Nirvana) foram todos lançados em 1991, ou seja, a vida desses caras não foi fácil.
Bach gravou seu primeiro trabalho solo em 1999, Bach´em Live e o segundo, Bach to Basics, uma seleção de covers, em 2001. Isto significa que foram seis anos até Angel Down, lançado no final do ano passado, e tanto tempo assim só poderia ser justificado por uma mudança no direcionamento musical da carreira, o que de fato ocorreu.
É natural que as expectativas girassem em torno da semelhança (ou não) do novo trabalho com o antigo trabalho de Sebastian no Skid Row, e quem esperava que o cara continuaria na linha hard rock levou um grande susto, principalmente com o vocal, que está mais agressivo e com as guitarras, extremamente pesadas. A banda que o está acompanhando neste trabalho já tocou com Rob Halford, então, não é preciso dizer mais nada.
A poderosa voz de Sebastian Bach continua intacta, mas, na minha opinião, mesmo quando ele a usa de forma mais agressiva, ainda não consegue fazer um vocal de metal adequado para o peso da sua nova banda. Apesar disso, é um excelente disco, com destaque para a participação de Axl Rose em três faixas. O cara continua mandando bem, pelo menos no estúdio, e o cover para Back in the Saddle do Aerosmith ficou ótimo.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Avantasia - The Scarecrow (2008)

Tenho que tirar o chapéu para esse rapaz, o Tobias Sammet. Já comentei aqui que não conseguia levar o Edguy muito a sério, principalmente no começo da carreira, mas, acompanhando a evolução dos caras e, principalmente o projeto paralelo de Sammet, o Avantasia, tive que reconhecer que o sujeito é muito talentoso e está cada vez melhor, tanto como cantor quanto como compositor.


Uma prova disso é Scarecrow, recém saído do forno, que mantém a fórmula metal opera, contando com muitas participações especiais. Só que desta vez o cara apelou... tá querendo o que, que a gente morra do coração? Em quatro faixas, Scarecrow, Devil in the Belfry, I Don´t Believe in Your Love e Another Angel Down, Sammet traz um monstro do metal, o mais perfeito cover de Coverdale que já pisou a face da Terra, o impecável e sempre matador Jorn Lande (ex-um monte de coisas); na terceira, Shelter From the Rain, trouxe nada menos que o insuperável Michael Kiske (ex-Helloween).


Na quarta faixa o ouvinte tomará um susto...o cara convidou o Bon Jovi? Não, ele surtou mesmo, está com complexo, mas é passageiro, haieuhaiuehaiiaeu. E daí, qual o problema em parecer com essa banda americana? Eu gostei, e além do mais, não é tão parecido assim. Na quinta faixa é a vez da suave voz de Amanda Somerville (Aina) marcar presença, num clima bem intimista e quase new age, com orquestra e tudo mais...o cara tá pegando pesado, que produção!

Em The Toy Master, Sammet coloca ninguém menos do que Alice Cooper pra cantar! Muito bom! Um clima oriental, misterioso, sensacional! A tiazona ainda detona! Além disso, como se já não fosse o bastante, ainda temos as participações de Roy Khan (Kamelot) na poderosa Twisted Mind, que abre o disco, e ainda Kai Hansen e Rudolf Schenker, que detonam nas guitarras em várias faixas.

No geral, esse disco é um pouco mais lento do que os dois anteriores, mas, isso não quer dizer que seja pior, muito pelo contrário, apenas está mais variado do que os seus antecessores, mantendo os refrões grandiosos, épicos e marcantes. Mas, o que mais me chamou a atenção desta vez foi a primorosa produção. Dá pra perceber que cada detalhe foi pensado, trabalhado e estudado. Excelente começo de ano hein!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Crematory - Pray (2008)

O Crematory foi a primeira banda de gothic metal que ouvi na vida. O disco em questão foi Awake, de 1997, e o que mais me impressionou foi o fato dos caras conseguirem fazer um som ao mesmo tempo gótico e empolgante, isto é, os elementos depressivos do gótico estão lá, mas, o som não é depressivo o tempo todo, muito pelo contrário, é possível até bangear numa boa.

Depois de flertar com elementros eletrônicos, principalmente no álbum Revolution (2004), os alemães do Crematory voltam à moda antiga, com guitarras muito pesadas, beirando o nu metal, teclados marcantes, piano e o tradicional vocal gutural dividindo os microfones com os vocais limpos, ambos masculinos. Aliás, esse é um dos diferenciais da banda, pois os duetos Beauty and the Beast se tornaram quase uma praga do final dos anos 90 até hoje.

Impossível ficar indiferente à segunda faixa, Left the Ground, onde o destaque é um instrumento chamado theremin, inventado no começo do século XX por um músico e inventor russo chamado Leon Theremin. Todos lembram de discos voadores e fantasmas quando ouvem o som desse instrumento, pois ele era usado como efeito especial em filmes de ficção científica para fazer tais sons.

Um grande álbum, com uma produção simples, porém, com um som muito poderoso, na cara, e sem muita frescura, afinal, estamos falando de rock and roll meu amigo, e esses caras estão na estrada desde 1993 e sabem muito bem o que querem.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Guia de Sobrevivência de um Roqueiro no Carnaval

Nesse feriado de carnaval, não adianta querer colocar aquela camiseta preta do Black Sabbath que você comprou na Galeria do Rock e exigir que os seus parentes ouçam Dimmu Borgir no volume 9...não vai rolar. Além do preto não combinar com o calor escaldante dos trópicos, seus parentes são capazes de chamar um pastor pra tirar esse encosto de cima de você. O jeito é tentar encontrar um meio termo, ou seja, colocar músicas que todos suportem ouvir, inclusive você. Para isso, criei este pequeno Guia de Sobrevivência de um Roqueiro no Carnaval. Vamos lá.

Stray Cats - Best Of
Rockabilly de primeiríssima qualidade, com Brian Setzer na guitarra. Começando com esse disco, você ganha o seu público, garantindo um som animado e contagiante, que vai arrancar suspiros daquela sua tia gorda com aquele conjuntinho de viscose verde musgo.


Gin Blossoms - Congratulations, I´m Sorry
Quando aquela sua sobrinha pentelha e pseudo-roqueira, que ouve Evanescence e acha que é metal, começar a chatear dizendo que Rockabilly é coisa de velho, você tasca esse disco do Gin Blossoms na vitrola. Rockzin ameno, mas honesto e vibrante. Todos vão se lembrar de Follow You Down, que tocou exaustivamente nas Fms há uns dez anos.

Dick Dale - The Best Of
Se você estiver "passando" (o mais adequado seria "sofrendo") carnaval próximo a uma praia, vai ter que descolar uma opção para o tradicional axé que o seu cunhado insistirá em colocar. Aí, você usa esse disco do Dick Dale, um tremendo ás na cartola de qualquer roqueiro descolado. Surf music de qualidade, bem agradável e que vai calar a boca de quem disser que a sua seleção não está combinando com os dias de folia, além de fazer uma média com aquele seu avô doidão.

Firehouse - 3
A essa altura, o churrascão tá comendo solto e o álcool já tá fazendo efeito. É hora de aproveitar e colocar um pouco mais de peso no cardápio musical, mas, vá com calma, muita sede ao pote pode estragar seus planos de passar um carnaval sem funk, axé, pagode, sertanejo e congêneres. Esse disco do Firehouse é ótimo para essa ocasião, hard rock de primeira e se alguém reclamar do barulho, você dá uma enrolada na galera e diz que nesse disco tem uma música muito boa que já foi tema de novela. No caso, é a última faixa, I Live My Life For You, mas, até chegar lá, você já tomou umas cervejas, bem redondinhas.

Hoodoo Gurus - Electric Soup
Pode acontecer dos ânimos ficarem exaltados e você não conseguir chegar até a última faixa do Firehouse. Aí, sujiro como emergência esse disco de surf music da banda australiana Hoodoo Gurus. Dá pra ouvir numa boa, o clima das músicas é alto astral e é possível que parem de pegar no seu pé e voltem a se concentrar na carne e na cerveja.

Rata Blanca - Guerrero del Arco Iris
Vai chegar um ponto em que certamente, alguém vai contestar a sua seleção musical internacional, e vai exigir que você coloque algo cantado em português. A saída mais esperta e escorregadia é perguntar se alguém já ouviu rock em espanhol. É a chance de empurrar goela abaixo deles um Rata Blanca, tremenda banda argentina fortemente influenciada por Deep Purple e Yngwie Malmsteen, principalmente o guitarrista Walter Giardino.

Milionário & José Rico
Sempre é bom estar preparado para adversidades, e, nesses casos, ter um plano B é sempre salutar. É bem provável que o Rata assuste grande parte dos seus parentes, inclusive sua sobrinha "metaleira" e fã do Evanescence, CPM22, etc. Nesse caso, você vai ter que ceder, mas, ao mesmo tempo, já vai preparando o terreno para voltar ao rock logo em seguida. Não, não estou louco, é isso mesmo, você vai colocar o clássico de Milionário e Zé Rico no volume 8! Rapidamente, aqueles seus primos intelectualóides vão reclamar que é baixo nível, e você lá, doidão, berrando :"na esperança de ser campeão, alcançando o primeiro lugar!!!!"


Rush - Moving Pictures
A estratégia é mandar um super clássico logo em seguida, que começa com uma música conhecida de todos, já que fez parte da trilha sonora do seriado Profissão Perigo, do eterno McGayver, capaz de explodir um prédio utilizando uma carta de baralho, uma laranja chupada e um carretel de linha.


Dream Theater - Score
Lá pelas tantas, o nivel de cachaça no sangue vai estar bastante elevado, e é natural que surjam discussões filosóficas de grande interesse científico (credo!). Conversa vai, conversa vem, você vai puxar a brasa para a sua sardinha e vai lançar a seguinte provocação: "rock e música clássica são a mesma coisa, o que diferencia esses estilos são os instrumentos que são utilizados" (eu realmente acredito nisso!). Todos discordarão, é claro, argumentando que rock não tem melodia, rock é só barulho, etc, etc. Aí é a hora certa de colocar o Dream Theater com orquestra sinfônica pra rolar.


Sepultura - Roots
Se depois disso, alguém ainda quiser discutir e meter o bedelho no seu carnaval particular em torno do aparelho de som (ehehheeh), passe a mão em um espeto de churrasco, berre alguma frase do tipo Hail brothers of metal!!! e escancare o volume com "Roots Bloody Roots!!!!!!"

É isso aê, boa diversão pra você, espécie em extinção, roqueirus brazilienses rarus!!!